Um grupo do Campus Piúma, do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), está analisando peixes coletados no Rio Benevente, no Sul do Estado, como parte do projeto Peixe Guia. A iniciativa busca adaptar um modelo canadense de monitoramento ambiental para a realidade do Estado, visando acompanhar a saúde dos mananciais capixabas por meio da observação de espécies de peixes utilizadas como indicadores da qualidade da água de rios e mares.
A ideia é dar origem a uma forma unificada de monitoramento, que poderá ser utilizada por pescadores e moradores da região contemplada, por meio da observação das características de algumas espécies de peixes.
As atividades tiveram início no ano passado. O Ifes está atuando em parceria com o Instituto Aplysia; Governo do Estado; colônias de pescadores de Vitória, Guarapari e Anchieta; Instituto Terra; Espírito Santo em Ação; Cesan; UVV; Ufes; Sebrae; ArcellorMittal Tubarão; Vale; Samarco; e Caixa. Também fazem parte as instituições canadenses Environment Canada e Canadian Rivers Institute. O CNPq apoia o projeto com insumos, equipamentos e bolsas.
A equipe do Ifes é formada pelos professores Clayton Perônico (que é o coordenador), Thiago Basilio, Juarez Coelho Barroso, Victor Hugo Silva e Silva, Jaques Douglas Coimbra Dias e Marcelo Paes Gomes. Também faz parte o aluno de Engenharia de Pesca Wander Lucio da Luz, como bolsista, e diversos alunos dos cursos técnicos em Aquicultura e em Pesca, além de outros estudantes da graduação.
O grupo já participou de diversas etapas do trabalho. A primeira foi de reuniões e workshops com pesquisadores canadenses para definição de metodologia. É a primeira vez que a proposta está sendo executada em um país tropical e isso exige uma série de avaliações e adequações metodológicas, segundo o professor Clayton Perônico.
Na segunda parte, foi feita a coleta de peixes em três pontos diferentes do estuário do Rio Benevente, que corta os municípios de Alfredo Chaves, Anchieta, Guarapari, Piúma e Iconha. Com 256 peixes capturados, foram identificadas 19 espécies. As duas escolhidas para serem sentinelas (os peixes guia, propriamente) foram o Cangoá (Ophioscion punctatissimus) e o Bagre (Genidens genidens).
“Agora estamos realizando no Campus Piúma a identificação das espécies, a análise das principais medidas corporais, as condições de maturação das gônadas sexuais e o estudo do conteúdo estomacal dos peixes coletados, para fazermos uma pesquisa sobre a alimentação e cadeia alimentar nesse ecossistema. Em outubro faremos uma nova reunião com parceiros para apresentação dos resultados e em novembro teremos a próxima campanha de coletas de peixes, água e solo”, relatou o professor Thiago Basilio. Os exemplares coletados farão parte da coleção zoológica do Laboratório de Biologia do Campus Piúma, destacou.
Ele também contou que o Instituto Aplysia e outros parceiros estão realizando as análises dos parâmetros físico-químicos da água e do solo, além das análises de metal pesado dos tecidos dos peixes sentinelas. “Depois da próxima coleta faremos as comparações e a o estudo crítico da metodologia para verificar sua eficiência.”
Veja as fotos feitas pelo professor Thiago nas duas etapas do projeto:
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